Cerimônia de abertura da maior feira de livros do mundo árabe celebrou a Cultura como ‘garantia mais segura de criar comunidades estáveis, instruídas e avançadas’

Em seu discurso, o sheik Sultan Muhammad Al Qasimi ressaltou a importância da Cultura e do conhecimento para o emirado que ele governa | Divulgação

Hoje é o petróleo quem move as engrenagens – muitas vezes besuntadas com um luxo excessivo – dos Emirados Árabes Unidos. Um dia, o petróleo vai acabar e aí? Cada um dos emirados foi buscar uma vocação. Sharjah elegeu a ciência, as artes e a cultura para se perpetuar.

Em 2019, a cidade foi eleita a Capital Mundial da Literatura pela Unesco. O título, claro, foi especialmente celebrado na manhã desta quarta-feira, quando foi aberta oficialmente a Feira Internacional do Livro de Sharjah. A cerimônia contou com a presença do sheik Sultan Muhammad Al Qasimi, membro do Conselho Supremo e governante de Sharjah. “Quarenta anos atrás, Sharjah não era o que você vê hoje”, começou o seu discurso. “Ninguém podia prever as tremendas conquistas culturais que alcançaríamos. Para nós, estar no caminho da Cultura é a garantia mais segura de criar comunidades estáveis, instruídas e avançadas, de construir uma economia sustentável com base no conhecimento”, continuou. “A cultura nos leva ao futuro e nos protege da ignorância. Nosso projeto cultural garante a todos um senso de pertencimento e o direito a uma vida decente”, completou.

A Feira recebe, ao longo dos próximos 11 dias, dois mil editores de 81 países – seis brasileiros inclusive – 173 autores e 90 personalidades culturais para mais de 900 atividades culturais.

Defendendo o papel da mulher na cultura árabe, a crítica libanesa Yumna Al Eid recebeu o título de Personalidade Cultural do Ano | Divulgação

Alguns desses editores e autores tiveram seus trabalhos reconhecidos na cerimônia, que foi palco da entrega dos diversos prêmios concedidos pela feira. Uma dessas profissionais foi a autora e crítica Yumna Al Eid (também conhecida no meio como Hikmat Sabbagh). Ela recebeu o título de Personalidade Cultural do Ano em reconhecimento ao seu significante papel como promotora da literatura árabe ao longo de décadas. Em seu discurso, ela reafirmou a importância do reconhecimento do trabalho de mulheres nesse setor. “Estou muito feliz em estar aqui nessa celebração cultural. Tenho boas memórias de Sharjah, que tem celebrado a cultura, os livros e os autores sem nenhuma discriminação de gênero ou nacionalidade. Percebo que esta ocasião é uma homenagem não só a mim, mas às realizações das mulheres que fizeram muito para nutrir a cultura árabe no mundo. As escritoras libertam a consciência coletiva das práticas e concepções definidas por uma cultura patriarcal. O fato de hoje mais mulheres em nossa região estarem pegando uma caneta para escrever mais títulos premiados é um motive de muito orgulho para mim”, disse.

Representante da editora italiana Edizione E/O recebe o cheque simbólico pelo prêmio de tradução da feira | Divulgação

Mas o prêmio mais esperado da noite era o Turjuman, que busca dar reconhecimento ao trabalho de tradução e distribui 1,3 milhão de dihams (aproximadamente R$ 1,4 milhão). O vencedor foi o livro Una piccola morte, versão em italiano do livro do premiado autor saudita Mohammed Hasan Alwan feita pela tradutora Barbara Teresi. A editora libanesa Dar al Saqi, responsável pela obra original, levou o prêmio de Editora Árabe do ano. A editora italiana levou 910 mil dihams e a libanesa outros 390 mil.

Fonte: Publish News

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