O Plenário do Senado promoveu nesta terça-feira (22) uma sessão especial para homenagear os 100 anos de nascimento do almirante Paulo de Castro Moreira da Silva, idealizador do Instituto Nacional de Estudos do Mar (Inem). O instituto defende o meio ambiente marinho, a flora e a fauna e seu aproveitamento econômico.

A cerimônia que enalteceu a dedicação e o trabalho prestado durante 45 anos pelo militar às ciências do mar coincidiu tragicamente com o pior desastre ambiental envolvendo o oceano no Brasil, lamentou o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) durante a homenagem. As manchas de óleo que começaram a aparecer no dia 2 de setembro na Paraíba se espalharam por uma área de 2,2 mil quilômetros de costa, em 72 municípios de nove estados. Mais de 900 toneladas de óleo já foram recolhidas, segundo a Marinha.

— Se estivesse vivo, certamente o nosso homenageado estaria lado a lado com a Marinha, com os órgãos dos governos estaduais e federal e com a sociedade civil no combate a esse acidente criminoso, onde centenas de toneladas de petróleo poluem praias da região, causando transtornos irremediáveis ao meio ambiente, às populações ribeirinhas que vivem da pesca, ao nordestino que hoje já amarga prejuízos no turismo — disse.

O comandante da Marinha, almirante de esquadra Ilques Barbosa Junior, aproveitou a oportunidade para assegurar que as autoridades competentes estão trabalhando para descobrir e responsabilizar os autores do incidente e também para neutralizar os impactos à biodiversidade e os prejuízos econômicos às localidades atingidas.

— Apesar de toda a complexidade que caracteriza essa agressão criminosa ao país, estamos empenhados e inteiramente comprometidos para a elucidação dos fatos. Não se pode determinar por quanto tempo ainda persistirão as ocorrências das manchas. O que podemos assegurar é que estaremos a postos sempre, quando e onde e com a duração que for necessário — afirmou.

História

Paulo de Castro Moreira da Silva nasceu no Rio de Janeiro em 18 de outubro de 1919 e faleceu em maio de 1983. Como marinheiro, sua vida foi dedicada a descobrir por meio de pesquisas científicas novos métodos de alimentação e fontes alternativas de energia advindas do oceano. O homenageado fez estudos relevantes nas áreas de climatologia, oceanografia, meteorologia, biologia marinha e hidrografia.

Autor do requerimento para a sessão especial, o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) ressaltou que o almirante foi um pioneiro do conhecimento sobre os assuntos relacionados ao mar em uma época em que ninguém cogitava a importância estratégica do patrimônio marítimo nacional.

— Ele constitui um daqueles raros exemplos de homens públicos que galgaram os altos cargos da República em razão de sua formação científica especializada […] A posse real, profunda, apaixonada e definitiva do mar, na visão do almirante Paulo Moreira, seria alcançada pela verdadeira compreensão da natureza, vertida no conhecimento científico — afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Senado Federal

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