Em sua coluna, Cassius fala sobre os conteúdos digitais ligados ao mercado do livro e como eles podem ajudar a atrair mais leitores e divulgar novos produtos

A Flip deste ano foi muito boa, uma das melhores que já fui. Palestras sempre cheias, as programações paralelas crescendo e dando vida nova ao evento, e um dos grandes destaques foi o volume de mesas discutindo os conteúdos digitais e como eles podem ajudar o mercado editorial nesse momento tão difícil.

Foi possível identificar que ainda temos três grupos distintos no mercado, dois deles “extremos” quando se fala de digital no Brasil: as pessoas que não querem nem ouvir falar, acham difícil e não veem porque fazer, e as que acham que cada nova onda (o e-book e agora o audiobook, para ficar em duas), serão a salvação do mercado. Mas o interessante foi ver que o grupo que fica no meio dos dois está crescendo, estudando os meios digitais e entendendo que tudo isso são armas que temos para criar novos leitores, exatamente ao dar diferentes opções para esse leitor.

Aliás, opção é a palavra quando falamos em digital. No mundo de hoje, é importantíssimo dar opções para o consumo do conteúdo da maneira que o leitor quiser, que mais gosta, ou que lhe é mais prática, como ouvir um livro, poder ler no celular, começar o 1º capítulo digital enquanto espera o livro físico chegar e tantas outras possíveis atualmente.

Mas quando falamos em conteúdo digital, às vezes nos esquecemos de que o universo hoje é muito mais amplo do que o que citei acima. Mediei uma mesa na Flip com o autor Felipe Sali, que ficou conhecido por se auto publicar no Wattpad; a Andréia Martinz, da Bibliomundi; e a Isadora Cal, da Bookwire, e cada um deles descreveu ideias e experiências que me abriram muito a cabeça.

Por exemplo, como temos muito mais escritores do que editoras, as plataformas de autopublicação podem ser grandes aliadas tanto dos editores, para que se identifiquem novos sucessos, como para os autores conseguirem seu sonho de serem publicados, como foi o caso do Felipe. Ou o caso contado pela Andréia sobre um podcast, nos EUA, feito por uma loja on-line para vender colchões, depois de ter falhado em redes sociais.

O que os dois exemplos acima mostram é que devemos identificar e usar os conteúdos digitais como nossos aliados para a divulgação dos nossos produtos. Seja o YouTube, redes sociais, podcasts ou outros, o importante é identificar o que funcionará melhor para a sua editora ou produto e então investir naquilo. Mexer com conteúdo digital requer estudo, tempo e pessoas que entendam disso, não basta apenas pagar anúncios em uma ou outra rede para fazer funcionar.

No fim, acho que uma das melhores mensagens passada nesta Flip foi que a hora de reclamar passou. É hora de estudar o mercado, entender a cadeia na qual estamos inseridos, discutir soluções conjuntas e utilizar todos os meios disponíveis hoje, especialmente os digitais, para publicação e divulgação de conteúdo. É a solução de todos os nossos problemas? Claro que não. Mas é um bom caminho.

Fonte: Publish News

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