A segunda temporada de “Big Little Lies” já está indo ao ar na programação da HBO há cinco semanas e, faltando dois episódios para terminar o ciclo, a sensação geral é de que o novo ano do seriado ficou muito abaixo das expectativas da emissora e do público perto do impacto explosivo dos primeiros sete episódios em 2017. Além da decisão de converter a minissérie em série não ter rendido o resultado esperado, a recepção dos cinco episódios iniciais foi fria, apoiado muito mais na expectativa de ver o elenco estelar da produção contracenando que de saber os efeitos da morte que era o principal mistério da temporada inicial.

Uma nova reportagem da IndieWire, porém, mostra que os problemas desta segunda incursão da série começaram antes do lançamentos dos episódios e aconteceram de fato nos bastidores. Bastidores que mais exatamente envolvem a decisão criativa crucial da temporada de aproveitar a conversão de formato e substituir o canadense Jean-Marc Vallée pela britânica Andrea Arnold na direção: embora a troca tenha sido feita para oferecer um novo olhar à história e suas personagens, erros de má comunicação resultaram na situação lamentável de Arnold ficar de fora do comando dos episódios na pós-produção e Vallée voltar a assumir a série para manter intocado o seu estilo visual.

De acordo com o site, a questão que descambou este processo todo foi uma falta de alinhamento entre o que a produção comandada pelo showrunner David E. Kelley queria e o que foi proposto a Arnold no momento de sua contratação. Embora tenha sido dito à diretora que ela teria todo o controle criativo para filmar a história do segundo ano, o desejo real de Kelley e outros produtores é de que ela se adequasse ao estilo proposto por Vallée na primeira temporada, que voltaria de qualquer forma ao núcleo criativo do seriado na pós-produção após concluir seus trabalhos com a adaptação de “Objetos Cortantes” para a emissora.

O problema é que a cineasta nunca chegou a ser avisada desta dinâmica e portanto tocou a produção buscando exatamente o que havia sido pedido: um olhar diferente. De acordo com fontes internas no estúdio, Arnold buscou aplicar na filmagem dos episódios o seu estilo mais “cru” e pautado no uso de câmera na mão que definiu seus trabalhos no cinema, uma medida que se por um lado agradou o elenco (que elogiou seu comando nas redes sociais após a conclusão das filmagens) tornou mais problemática o objetivo de Kelley em “unir os estilos” de ambos os criativos – e não ajudou muito a diretora fazer suas próprias escolhas de equipe, incluindo colocar Jim Frohna na direção de fotografia da temporada. Além do showrunner sequer visitar o set, Vallée e Arnold nunca chegaram a se reunir antes ou durante o processo de produção para definir o “tom” pedido pela HBO.

O caldo começou a entornar de vez depois que Arnold seguiu o planejamento e moveu a pós-produção de Montreal para Londres, quando Kelley e a HBO perceberam que precisariam intervir. Mesmo antes da diretora terminar de montar o primeiro episódio da temporada, Vallée começou a trabalhar na edição dos sete episódios no Canadá e marcou 17 dias de refilmagens. Arnold até chegou a comparecer ao set para trabalhar na produção das cenas necessárias, mas a partir daí Vallée já estava passando por cima de suas decisões criativas e ditando o que seria feito.

O mais bizarro é que pelo visto esta tomada de comando pode ser acompanhada dentro da estrutura da temporada: enquanto os primeiros episódios carregam a maior parte das cenas dirigidas por Arnold (embora totalmente picotadas), os últimos já são quase inteiros de Vallée. No momento, onze profissionais são creditados com a montagem do segundo ano de “Big Little Lies”.

O sétimo e último episódio da atual temporada da série será exibido na HBO no próximo dia 21 de julho.

Fonte: B9

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Central da Pauta.