Governo e partidos de centro tentam acordo de procedimento com partidos de oposição

Governo e partidos de centro tentam construir acordo de procedimento com os partidos de oposição sobre a votação da reforma da Previdência. Na reunião de líderes desta manhã, o governo propôs à oposição que retirasse a obstrução em Plenário no dia de hoje, para que os parlamentares debatessem a proposta, e deixassem a votação para amanhã, com apenas dois requerimentos de obstrução.

A oposição não concordou com a proposta, mas está reunida neste momento para avaliar a melhor estratégia de atuação no Plenário. Está prevista uma segunda reunião de líderes ainda hoje, às 14h, para que seja definido qual o rito de votação da PEC da Previdência: se tiver acordo com a oposição, a votação fica para amanhã; se não tiver acordo, governo e o centro vão tentar vencer a obstrução e votar ainda hoje o texto principal da reforma.

Governo
A líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselman (PSL-SP), avaliou que, independentemente de o acordo ser fechado ou não, a reforma será aprovada. Ela aposta que o texto base terá apoio de 342 votos, incluindo votos de parlamentares de partidos da oposição.

“Vamos ter o quórum (para dar início à votação): terminando essa sessão a gente faz uma reunião para eventualmente saber se há um acordo, mas não faz diferença: ou vai no acordo com o debate longo e a votação sem obstrução ou com obstrução reduzida, ou com obstrução longa, a gente vence a obstrução e vota a reforma”, disse.

Maioria
O líder da Maioria, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), espera que os partidos de esquerda fechem o acordo para garantir um amplo debate da proposta, nem que a discussão dure 10 horas.

“Acho que é muito mais racional e muito mais saudável para o País (o debate), ao invés de perder tempo com obstrução. É isso que estamos colocando, é fazer um amplo debate e a partir de amanhã dois movimentos de obstrução e se entraria na votação, até porque teriam ainda os destaques”, disse Ribeiro.

Questionado pela imprensa se a proposta do governo de adiar a votação foi feita porque a reforma não tem ainda os votos necessários para ser aprovada, o líder do Podemos, deputado José Nelto (GO), negou. Segundo ele, a reforma vai ser aprovada, mas é preciso respeitar a oposição.

“O Parlamento é um processo de debate, nós não somos os donos da verdade: é preciso ter cautela, é preciso respeitar a minoria.

Oposição
O líder da Oposição, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), afirmou que o governo está blefando porque não tem os votos suficientes. Molon disse que se o governo propõe adiar a votação para amanhã, é uma sinalização de que a proposta não tem os 308 votos mínimos necessários para ser aprovada.

“O que percebemos que o governo não tem os votos e o próprio governo propõem jogar a votação para amanhã porque ainda aposta na liberação de emendas para tentar chegar aos 308 votos, e por isso sente a necessidade jogar a votação para amanhã. Diz que tem voto e não tem; vamos avaliar para testar os votos do governo no dia de hoje ainda”, avaliou Molon.

Fonte: Câmara dos Deputados

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