O faturamento apurado com as vendas de livros nos estabelecimentos monitorados pelo instituto de pesquisa caiu 25,8% em março. No acumulado do ano, o tombo já é de 19,9%.

No ano, setor varejista de livros já perdeu 19.9% do seu faturamento | Vanessa Araújo / Divulgação / Livrarias Curitiba

A GfK e a Associação Nacional de Livrarias (ANL) acabam de publicar o seu relatório de março (04 a 31/03) trazendo a evolução das vendas de livros em livrarias, supermercados e lojas de autoatendimento monitoradas pelo instituto de pesquisa. O que se vê é uma nova queda tanto no faturamento (-15%) quanto no volume (-25,8%). Foram 3,6 milhões de exemplares vendidos o que redundou em faturamento de R$ 172,2 milhões. Em igual período do ano passado, tinham sido vendidas 4,9 milhões de unidades e o faturamento era de R$ 202,6 milhões.

No acumulado do ano a perda é de 19,9% em faturamento que caiu de R$ 776 milhões para R$ 621 milhões. Em volume, os estabelecimentos monitorados pela GfK já acumulam perda de 23,7%, caindo de 16 milhões de unidades para 12,2 milhões.

Essa queda é, como se previa, explicada fortemente pela ausência dos livros didáticos, que encontraram novos caminhos para chegar às mãos dos alunos nesse volta às aulas. A categoria perdeu 36% em importância no faturamento das livrarias, supermercados e lojas de autoatendimento acompanhados pelo instituto. Quedas preocupantes também nas categorias Concursos Públicos (-50%), Direito (-25%) e Ficção infantil e juvenil (-23%). As únicas categorias que apresentaram crescimento foram Autoajuda (39%) e Administração / Economia (21%). Percebe-se ainda uma queda muito grande na categoria Turismo / Lazer / Culinária muito explicado pela sazonalidade dos álbuns de figurinhas da Copa, categorizados pela GfK nesse segmento e que estavam em alta em 2018.

A GfK percebeu ainda elevação de 14,4% do preço médio do livro e uma nova dinâmica das políticas de descontos aplicados ao consumidor final, o que pode demonstrar uma tentativa das varejistas recuperarem as suas perdas. Se em março de 2018, em média, os estabelecimentos que o instituto acompanha davam descontos de 23%, agora, eles têm dado descontos médios de 13,8%.

A pesquisa aponta ainda uma nova retração do canal Livraria, que perdeu 23% do seu faturamento em relação ao ano passado. Isso se explica primeiro pelo fechamento de unidades (Saraiva fechou pelo menos 20 lojas enquanto que Cultura encerrou as 12 lojas da Fnac), mas também é reflexo claro da crise instalada nessas duas varejistas que estão em recuperação judicial. Os outros canais – supermercados e lojas de autoatendimento – apresentaram crescimento de 17,1% no período, mostrando que o leitor tem procurado novos caminhos para encontrar seus livros.

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Fonte: Publish News

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