Em evento realizado para seus investidores na noite da última quinta-feira, 11 de abril, a Disney revelou ao mundo maiores detalhes de seu novo serviço de streaming, o Disney+ que foi anunciado há quase dois anos pela empresa. Enquanto para os acionistas a reunião serviu para tirar dúvidas importantes sobre a estratégia da companhia com o canal – que, como o CEO Bob Iger bem esclareceu antes, será uma prioridade dentro da companhia – o Investor’s Day atiçou o público com todo tipo de informação sobre o novo competidor do mercado, desde os produtos que farão parte do catálogo até detalhes mais funcionais.

Pra começar, o Disney+ já tem data de lançamento nos Estados Unidos. O serviço estará disponível para os norte-americanos à partir do próximo dia 12 de novembro, bem a tempo do início do ano fiscal da empresa de 2020, com opção de um plano mensal de 6,99 dólares e outro anual de 69,99 dólares. O valor da assinatura por mês, aliás, é a metade do preço da Netflix nos EUA (cujo valor mais barato é de 12,99 dólares), o que indica que a Disney vai mirar a concorrência com agressividade.

Embora o início esteja próximo, o plano de lançamento do Disney+ no mundo se estenderá por praticamente dois anos, chegando até o fim de 2021 para estar disponível ao redor de todo o globo. No Brasil, o serviço deve estrear em algum momento à partir de novembro de 2020, quase um ano depois do debute – uma medida, aliás, que deve forçar a Disney a buscar algum tipo de acordo com outros canais por aqui, considerando que as séries e filmes originais do serviço que estarão disponíveis no lançamento não estrearão simultaneamente ao redor do mundo e devem ficar sujeitas à pirataria. Detalhes sobre o ajuste de preços por região não foram divulgados.

A expectativa da empresa com o novo produto não é pequena, diga-se de passagem. Com um plano de possuir mais de 50 séries e 10 filmes originais no catálogo no fim do quinto ano de vida do streaming, a Disney espera possuir entre 60 e 90 milhões de assinantes do Disney+ até 2024 – sendo 1/3 deste público só nos Estados Unidos.

Antes de entrar no catálogo, vale dizer que esta será a interface inicial do Disney+, que funcionará à partir de cinco áreas distintas: Disney, Pixar, Marvel, Star Wars e National Geographic. E detalhe: todos os filmes e séries do streaming estarão disponíveis para download desde o lançamento, em mais um aceno à rival Netflix (que ainda conta com esta função em caráter limitado a alguns originais).

Junto da opção de download, os assinantes terão acesso a ferramentas de controle parental e poderão configurar suas contas para membros individuais da família.

Mas e o catálogo?

De acordo com a Disney, o serviço contará com uma grande quantidade de filmes e séries clássicos da empresa em seu lançamento, com o catálogo ganhando expansões ao longo do ano. Entre os filmes já confirmados no debute, há a maioria das animações tradicionais do estúdio, todas as produções da Pixar (incluindo os curtas!), a saga “Star Wars” até “Rogue One” (com os outros três longas adicionados até o fim de 2020), cinco mil episódios e cem filmes do Disney Channel e mais de 250 horas de documentários produzidos pelo Nat Geo.

Não bastasse isso, todos os vindouros novos filmes da Disney (independente do estúdio) serão no streaming itens exclusivos do Disney+, começando já por “Capitã Marvel” que abriu os trabalhos da empresa este ano.

Uma das grandes forças do “catálogo antigo”, porém, será “Os Simpsons”, que terá todas as 30 temporadas disponibilizadas com exclusividade no Disney+ à partir do lançamento. É uma jogada de poder e tanto, vale dizer, dado que a popularidade da animação nos Estados Unidos deve levar muita gente a decidir assinar o serviço.

Mas apesar dos Simpsons os originais são mesmo o diamante bruto do Disney+. A área da Marvel, por exemplo, contará com uma variedade de minisséries estreladas por personagens do Marvel Studios, incluindo “Falcon & Winter Soldier” (estrelada pelo Falcão e o Soldado Invernal), “WandaVision” (sobre as aventuras do casal Visão e Feiticeira Escarlate), “Loki” (que marca o retorno de Tom Hiddleston ao papel) e a animação “What If”, sobre cenários alternativos do MCU – o primeiro episódio, por exemplo, mostrará o que teria acontecido se fosse Peggy Carter quem recebesse o soro do super-soldado. O único projeto não introduzido no palco foi a série do Gavião Arqueiro, revelada pela imprensa no começo da semana.

No palco para apresentar todos os projetos do estúdio, o presidente do Marvel Studios Kevin Feige fez questão de deixar claro que as minisséries da marca no Disney+ serão vitais paro universo dos heróis e trarão ramificações importantes a outras histórias – uma forma pouco sutil de dar destaque às produções in-house do estúdio em relação às tantas licitações feitas com outros canais. “O MCU pós-‘Vingadores: Ultimato’ será extremamente diferente e extremamente focado no Disney+ se ligando aos filmes futuros” o executivo chegou a declarar no palco do Investor’s Day.

Outro chamariz importantes das produções originais são as séries de “Star Wars”. No evento, a presidente da Lucasfilm Kathleen Kennedy confirmou o desenvolvimento de uma série de live-actions da marca para o canal, além de uma temporada final de 12 episódios para a estimada animação “The Clone Wars” e alguns documentários sobre a saga com imagens inéditas de bastidores. Além disso, foi confirmado o seriado derivado de “Rogue One” centrado em Cassian Andor, personagem de Diego Luna no prelúdio, que será uma história de espionagem ambientado no universo espacial – o droide K2-SO também aparecerá na produção, sendo dublado mais uma vez por Alan Tudyk.

A menina dos olhos de Kennedy, porém, é “The Mandalorian”, programa comandado por Jon Favreau que será a primeira série live-action de “Star Wars” da História. Com um painel do projeto marcado para domingo na Star Wars Celebration, o seriado só teve confirmado que contará com oito episódios e que acompanhará as aventuras de um caçador de recompensas mandaloriano (interpretado pelo ator Pedro Pascal) pelos limites da galáxia, num momento posterior aos acontecimentos de “O Retorno de Jedi” e antes de “O Despertar da Força”. O logo da série também foi divulgado, que você confere abaixo.

Da Pixar, foi confirmado que o estúdio está desenvolvendo para o serviço de início produções centrados no universo de “Toy Story”, incluindo um curta centrado na história de Betty e uma série estrelado por Forky, um dos novos brinquedos do vindouro quarto capítulo da franquia.

Por fim, a Disney também confirmou a produção de séries baseadas em “Monstros S.A.” e “High School Musical”, junto de um programa documental estrelado por Jeff Goldblum apropriadamente intitulado “The World According to Jeff Goldblum”. O estúdio também produzirá e lançará filmes de médio e baixo orçamento ao longo do ano para o Disney+, incluindo “Noelle” (estrelando Anna Kendrick como filha do Papai Noel), “Timmy Failure” (dirigido por Tom McCarthy, de “Spotlight”), “Stargirl” (baseado no livro best seller de mesmo nome), “Togo” (uma história ambientando nos anos 20 sobre uma epidemia de difteria em uma cidade no Alasca, estrelada por Willem Dafoe) e o remake em live-action de “Dama e o Vagabundo”, que ao contrário de outros projetos do tipo será filmado com cães de verdade.

Além do Disney+, a Disney também entrou em maiores detalhes sobre seus outros streamings já existentes, incluindo o Hulu do qual ela agora é investidora majoritária. De acordo com os executivos da companhia, planos de expansão do serviço ainda estão sendo debatidos internamente, o que indica que não há nenhum anúncio do tipo no horizonte. Segundo a Disney, o problema não só seria a negociação com outras partes donas da Hulu (que incluem a Comcast) mas os próprios empecilhos burocráticos de uma internacionalização da subsidiária, incluindo pesquisas de público e negociações fiscais com os países.

Fonte: B9

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