Vocês já devem ter notado que as transmissões de futebol estão mudando. Não apenas o jeito de assistir, mas também de cobrir

Muito tempo atrás, todos os repórteres (rádio, jornal e TV) podiam trabalhar no campo. Quando o juiz apitava, adentravam o gramado em busca de seu alvo. Tem até uma entrevista famosa do Raul Quadros com o goleiro Raul Plassmann durante uma partida.

Realmente isso atrapalhava bastante. Era muita gente que não tinha nada a ver com o jogo ali. Até que a emissora detentora dos direitos dos campeonatos instituiu uma regra liberando apenas os profissionais dos veículos que também tinham os direitos a permanecerem no campo e proibindo qualquer um deles de passar das quatro linhas. E ai de quem infringisse a regra!!

Uma vez eu estava fazendo um jogo ao vivo em Volta Redonda e dei um passo (SÓ UM!) pra dentro do gramado pra entrevistar um jogador que estava saindo. Acabei suspensa por dois jogos. Isso mesmo!! Trabalhava na Band, mas a Globo ligou pro meu chefe em São Paulo exigindo que eu ficasse de fora da transmissão das duas próximas partidas. Foi uma das coisas mais surreais que me aconteceram. Sorte que eu conhecia todo mundo da Federação e consegui reduzir minha pena para um jogo apenas.

Fora do Brasil o repórter não entrevista ninguém nem antes da partida nem no intervalo, apenas no final, na frente do backdrop, com a marca dos patrocinadores atrás. E eu realmente acho que esta prática vai chegar aqui. A tendência é essa. Nas novas transmissões, feitas na Internet, não tem nem repórter cobrindo.

Mas qual o real papel do repórter durante um jogo? Dependendo do narrador, ele dá informações que o próprio narrador pode dar, já que na cabine a equipe recebe o “dossiê” completo dos dois times. Dizer quem levou cartão também é dispensável, já que a imagem mostra. A não ser que aconteça alguma confusão, a presença do repórter no campo não é tão fundamental assim. Tanto que atualmente os repórteres de rádio ficam na emissora, acompanhando o jogo pela TV.

Este ano já estamos vivendo a experiência de ter jogos transmitidos apenas pela Internet, como alguns da Copa Sul-Americana, e esta é realmente a tendência. Meu filho de 14 anos só liga a TV para ver jogo, e não se incomodou nem um pouco de ter que assistir o do Fluminense no YouTube. Isso é muito bom, pois democratiza o esporte e dá o direito do torcedor assistir onde bem quiser, ouvindo a opinião e a narração de quem preferir.

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Por Aline Bordalo. Repórter, jornalista esportiva e escritora. Profissional de imprensa há mais de 20 anos. Além da crônica esportiva, também já lidou com as chamadas pautas gerais. Ao lado do marido, o também comunicador Alexandre Araújo, escreveu o livro infantil Onde a Coruja Dorme e Outras Histórias.

Fonte: Comunique-se

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