14 de março de 2019 – 16h46

 

 

(crédito: reprodução)

Para você que é um mero mortal, como eu, pensar em trocar um pneu em menos de dez minutos já é ser otimista. Imagine então trocar os quatro em exato 1,97 segundo, façanha que colocou a Ferrari como a equipe mais veloz no serviço, e logo aqui no GP do Brasil de 2018, devolvendo o mais rápido possível o carro de Sebastian Vettel à disputa na pista.

Recordes assim acontecem não só porque existe tecnologia e ferramental, que na maioria das vezes são iguais para a maioria, mas porque tem gente comprometida a fazer o trabalho. Sabe qual é a diferença entre 1,97 segundo para 2 segundos? Gente que quis e fez a diferença. E pode ter certeza que, por menor que pareça a distância, tem um enorme peso no resultado final.

No nosso negócio de comunicação não temos nem mais 1,97 segundo. A lógica agora é trocar os pneus com o carro na pista, rodando a 300 km/hora. Mais do que o online, o que temos hoje é o on the go: pessoas se movimentando, gerando pegadas digitais intermitentes que constroem oportunidades a cada milissegundo de conexão, desde que pertinentes e focadas em construir benefícios e valor para elas.

Pessoas ávidas por consumir conteúdo e vantagens, olhando para suas telas enquanto fazem alguma outra coisa, como caminhar por uma calçada perdendo um rosto bonito ou um pôr do sol em prol do swipe do momento. Aqui, em Dubai, Bangladesh, Saigon ou em Veneza, não importa: o comportamento é quase o mesmo. Hoje, uma oportunidade é um desafio maior do que a troca impossível de pneus.

Vivemos hoje a lógica da imaterialidade e da obsolescência sustentada. Quanto valem meses de preparação e de trabalho de equipes multifuncionais nas palmas das mãos das pessoas? O tempo do movimento do polegar. Mais rápido que os tais 1,97 segundo.

Pois bem, a vida é o que é. As pessoas são como são. O que precisamos fazer é entender o momento e usar nossa capacidade para construir engajamento e percepção de valor em cima dessa nova e dinâmica realidade. Daí a necessidade de trocar o pneu com o carro andando para ganhar a corrida — da atenção, da emoção, da construção de uma real conexão e dos resultados do negócio.

Meu palpite é que, mais do que o domínio da tecnologia e diferencial competitivo meio frágil e copiável, o que faz a diferença é quem está por trás disso, pensando e repensando em como usar a infraestrutura que redefiniu a forma como vivemos e nos relacionamos. Se o técnico é tático e acessível a todos, o conceitual ainda é um território de poucos.

Hoje, análise de dados e resultados é menos olhar pelo retrovisor e mais renovar o baseline para as decisões de um futuro imediato e de médio prazo. A cada reunião, renova-se o ambiente competitivo e a forma de olhar as coisas. Dedica-se um tempo para uma discussão multidisciplinar, sem ego e com pessoas engajadas de verdade para se pensar no próximo capítulo, que vai ser desenhado, desenvolvido e publicado com agilidade e rapidez. Será escrutinado pela força única e verdadeira das pessoas, para depois, alvo desta destruição criativa sem dó que se chama performance, demandar uma nova e mais brilhante solução.

Por aqui, trocamos as reuniões de análise por hackathons que definem não a próxima campanha, mas o próximo passo. O carro está na pista e você precisa de gente do lado, na mesma velocidade e com mais do que o objetivo de chegar à reta final na frente: com o desejo e a experiência para fazer disso uma realidade. Tecnologia abre novas portas o tempo todo, mas o talento em como passar por elas é, no fim, o que vai fazer a diferença.

*Crédito da foto no topo: Reprodução

Fonte: Meio e Mensagem

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Central da Pauta.