Muitas marcas se empenharam com afinco neste Carnaval para levar ações diferenciadas ao público e gravarem seus nomes na memória dos foliões. Essa dedicação tem explicações que, obviamente, vão além da simples participação no maior evento cultural do país.

Segundo um estudo da Toluna, plataforma de coleta de dados sobre o consumidor, as empresas que patrocinam diretamente algum bloco ou fazem alguma ação durante o Carnaval de rua são lembradas por 67% das pessoas que participaram da festa.

Além disso, 63% das pessoas acreditam que essas empresas melhoram a estrutura das festas, 75% afirmam que as marcas ficam mais conhecidas por estarem nesses ambientes e 68% dizem que com as ações durante o Carnaval, as marcas ficam mais próximas do público.

Com números assim, não é de surpreender a grande quantidade de empresas envolvidas no Carnaval 2019, em ações das mais variadas. Foram desde descontos em aplicativos de mobilidade, como o 99, até um olhar especial para promover uma festa mais inclusiva, como fez a Skol em parceria com Anitta, que levará 50 pessoas com deficiência auditiva para curtirem o Bloco das Poderosas no Rio de Janeiro e em São Paulo, no próximo final de semana.

Mas sabemos que no dia a dia da folia, em meio às multidões e o vuco-vuco dos blocos, fica difícil conferir na prática o que essas empresas se propuseram a fazer. E aqui vale destacar algumas marcas que conseguiram se estabelecer com facilidade em todo o Carnaval de São Paulo:

iFood

O iFood é a marca campeã do Carnaval de SP por conseguir sobressair sua presença na cidade toda, apostando na distribuição de viseiras e pochetes vermelhas com seu logo. Parece simples (e é), mas pense que isso foi feito em uma quantidade gigantesca, o suficiente para fazer da empresa a grande presença desse Carnaval na capital paulista.

Em todos os blocos, em todas as regiões da cidade, você via diversas pessoas com a viseira vermelha do iFood. Muita gente aproveitou até mesmo para customizar o acessório e usá-lo como fantasia no dia seguinte.

É interessante observar que, embora possa ter sido muito utilizado no momento “larica” ao chegar em casa, o iFood não é exatamente uma marca cujo consumo aconteceu em meio aos blocos, diferente das bebidas, por exemplo. E mesmo assim ele estava lá, onipresente!

A marca ainda apostou em uma casa iFood, na Faria Lima, com outras ações e brindes para o público. Mas o que vale mesmo é que ela acertou em cheio na ação para a galera dos blocos de rua.

Skol Puro Malte

Já faz alguns anos que a Skol é a cerveja oficial do Carnaval de São Paulo. Mas a sacada de colocar a nova Skol Puro Malte como a cerveja oficial de 2019 foi perfeita para popularizar a mais recente integrante da família Skol.

Se existia alguma dúvida sobre a chegada da Skol Puro Malte ao mercado, ela dificilmente sobreviveu ao Carnaval!

Club Social

Distribuindo sem moderação pacotes da bolachinha, a Club Social SALVOU muita gente, literalmente. Além de ajudar a matar a fome em meio ao bloco, sem precisar gastar, não podemos negar que comer um pouquinho ajuda a não passar mal quando se está inserido no combo bebida + calor.

Vai ter muita gente agradecendo a Club Social pelo resto do ano.

Prudence

Camisinhas mil! A Prudence não economizou na hora de distribuir preservativos para o público, permitindo a todos pegar a quantidade que quisessem (ou precisassem).

Vale destacar que a marca foi bem esperta ao contratar um time, digamos, muito bonito, para distribuir as camisinhas. Se a paquera rola solta no Carnaval, nada mais inteligente que usar desse artifício para chamar a atenção para a sua ação.

Amstel

Carnaval já virou sinônimo de glitter, mas, por mais lindo que ele fique no corpo, sabemos que esse é um item nada sustentável. Pensando nisso, a Amstel criou o OOH de Glitter, um painel da marca com glitter biodegradável que poderia ser usado para complementar a fantasia.

Os painéis estavam espalhados pelas estações de metrô de São Paulo, pontos de circulação que receberam mais de 150 mil pessoas diariamente durante o Carnaval.

Não é Não

É preciso mencionar também, que este foi realmente um Carnaval que caprichou nas campanhas contra o assédio sexual. Desde ações da prefeitura de São Paulo até ONGs que já trabalham há anos no Carnaval, era visível em todos os ambientes a distribuição de panfletos, adesivos e tatuagens contra o assédio, além de informações sobre como e onde procurar ajuda e fazer denúncias.

Só a campanha “Não é Não”, criada há 3 anos, triplicou o número de tatuagens temporárias distribuídas para as mulheres.

Algumas ações, porém, entram para a categoria “poderia ter sido legal, mas não foi”. Essas iniciativas tiveram sim uma boa intenção, mas faltou a famosa “problematização” para ver que a ideia poderia dar errado.

O primeiro destaque, não exatamente negativo, mas incompleto, fica com a ação da KY, que distribui milhares de sachês do lubrificante, mas não colocou preservativos junto. Embora outras marcas, assim como a Secretaria Municipal da Saúde estivessem distribuindo muitos preservativos, faltou a sacada da KY de fazer o combo “prazer + proteção”.

A Rappi também não foi muito feliz em sua empreitada. Prometendo uma foto polaroid ao custo de baixar o app da empresa e ainda pagar R$ 1,00, a marca fez muita gente torcer o nariz, principalmente pelo fator “pagamento”. É só um real? É, mas quem é que paga pra participar de ação de marketing de uma empresa?

A divulgação de “Shazam”, novo filme da DC liberado pela Warner Bros. distribuiu copos com imagens do personagem. A ideia de um copo reutilizável é interessante, mas a logística do Carnaval não ajuda muito, afinal, além da compra de bebidas de ambulantes não diminuir o lixo produzido, utilizar um copo sem tampa em meio aos blocos não é a decisão mais segura, pois sempre há o risco de alguém colocar algo na sua bebida.

Faltou também noção da prefeitura de São Paulo em relação ao número de banheiros espalhados pela cidade para atender aos foliões. Mas isso já é outro assunto.

Fonte: B9

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