15 de janeiro de 2019 – 19h59

Estar na NRF, por mais que você venha vindo durante anos seguidos e já tenha boas dicas para otimizar o conteúdo, é ter a certeza de sentir aquela sensação de ter perdido coisas importantes! Com tantas palestras simultâneas, áreas de inovação, startups e ações paralelas, o roteiro deve ser estudado bem antes. No segundo dia do evento, diante de mais de 700 expositores, é um desafio à parte estar na hora certa, no lugar certo!

 

Feira mostra avanço da tecnologia para personalizar atendimento ao consumidor (Crédito: Charles Deluvio/Unsplash)

Tradicionalmente, essa é uma feira que apresenta muita tecnologia voltada para o varejo e é aqui que vemos os maiores desafios de implementação no mercado brasileiro.

Grande parte dos temas se repetem ano após ano, desde que começamos a falar de omnichannel, principalmente, mas vieram evoluindo, amadurecendo e ficando mais acessíveis de serem financiados. Isso por um lado é uma ótima notícia, já que existe muita coisa facilmente disponível para o mercado latino. Mas, por outro lado, dá aflição em ver que as soluções estão sendo substituídas rapidamente, e em um piscar de olhos, já vem aí uma nova versão.

Etiquetas inteligentes, soluções de business intelligence para a gestão de KPIs das lojas, provadores digitais para integração do consumidor com o produto e RFID são temas com uma variedade enorme de expositores! Opções das mais diversas possibilidades de implementação. Alguns destaques presentes esse ano vieram nessa linha de evolução e amadurecimento de tecnologias facilitadoras do processo de compra.

São muitos robôs pela feira, por exemplo! O “Bossa Nova” fez com que o Walmart tivesse alguns milhares de dólares de economia ao fazer a leitura inteligente de prevenção de ruptura, por exemplo. E o Badger, além de cuidar da leitura de planograma nas gôndolas, também realiza a leitura do chão e pontos fixos da loja com objetivo de detectar possíveis vazamentos, problemas com eletricidade entre outros.

A Intel é uma das marcas que está sempre presente na NRF e continua apostando na experiência do usuário para diminuir o atrito no momento da compra. Através de câmeras, sensores e scanners, detectam humores, tipos de roupas, gêneros e, com base nisso, proporcionam a melhor experiência onde quer que o consumidor esteja, seja no cinema, escolhendo tênis ou apenas indo para suas compras no supermercado. O Analytics vem também com um dispositivo mais do que especial: um drone que sobrevoa a loja e rapidamente faz toda a leitura inteligente do que está acontecendo em tempo real. Aliás, era quase impossível não notá-lo: ele deu o que falar ao sobrevoar o estande a cada dez minutos para chamar a atenção da audiência.

Para o segmento têxtil, duas soluções vistas em anos anteriores, mas que evoluíram para versões mais simples (Sim! Às vezes, a resposta está em um simples botão, e não em um sistema hiper complexo), ajudam o consumidor a fazer um scanner do seu corpo para auxiliar na compra online de roupas e sapatos e que também é útil para marcas que queiram sugerir a roupa perfeita sob medida, como é o caso da Indochino. A marca aposta a sua operação nessa entrega. Com o app MYSizeID, o indivíduo, com o próprio celular, apoia as mãos na parede, encosta o aparelho no cotovelo e tem um scan perfeito de todas as suas medidas. Por sua vez, o MetricStory é uma versão física em que o cliente sobe em uma espécie de balança posicionada na frente de um espelho e, em 30 segundos, já pode ver um extrato detalhado de suas dimensões.

Sem dúvida, o lançamento da AmazonGo em 2017 vem provocando muitos fornecedores de tecnologia a trazerem soluções de “compre e faça tudo você mesmo” da forma mais simples possível! O consumidor baixa um app com todos os seus dados, entra na loja para realizar suas compras e apenas “sai” de lá, já tendo concluído automaticamente o check-out! Algumas empresas já estão viabilizando essa solução para o varejo, como a Nano Storee e aZippin, além da gigante Cisco que também se dedicou para mostrar essa possibilidade.

O self check-out vem sendo cada vez mais adotado para supermercados e farmácias e, inclusive, já temos vivenciado muitos exemplos no Brasil. Agora é a vez dos mercados mais desafiadores, como é o caso do segmento de vestuário que possui aqueles alarmes nas roupas que são impossíveis de serem retirados sem o equipamento próprio. A implementação de algo semelhante já é possível por meio da solução da Sensormatic. De uma forma simples, o consumidor faz sozinho todo o processo de compra e em um display consegue tirar o alarme. Internamente, possui uma trava para que não se tente scannear um produto e tirar a etiqueta de uma peça diferente. Cada item tem uma identificação própria e o sistema faz este link perfeitamente evitando distorções!

Soluções de analytics aparecem com propostas cada vez mais hands on. Desde soluções para logística, como é o caso da Smart Pack, que através de câmeras inteligentes faz uma leitura do caminhão e sugere o melhor aproveitamento possível de armazenamento evitando espaços desperdiçados, além de fazer a contagem e registro do que está sendo carregado. Passando pela IBM, que aposta no Hyper Local Retailing, em que além de mostrar toda a análise do que está acontecendo na loja (como ruptura, dados inteligentes de venda e posicionamento de produtos, o que já vem sido visto há alguns anos), agora se propõe a fornecer respostas de maneira preditiva que era realmente o faltava neste tipo de leitura. O sistema faz recomendações inteligentes a todo o tempo para a gestão da loja, como em que produto apostar mais para a venda em um nível específico e profundo de SKU e vai além comparando o comportamento da loja e o consumo com outras regiões, sugerindo até a mudança ou a abertura de um novo espaço em outro local disponível na cidade. Chegando até a NEC, que apresentou também uma evolução da medição de zonas quentes das lojas por meio de câmeras. Apenas com o olhar do consumidor para os determinados produtos o sistema já mapeia quais são os mais desejados.

E, recortando para os apps de entrega de comida como UberEats, Rappi e por aí vai, a Apex order pick Up fez uma evolução simples e interessante de lockers para restaurantes que se propõem a esse modelo de delivery com entregadores compartilhados. Os armários são aquecidos, como um forno! E esse local é a origem de onde o portador do app retira, por meio de um código de liberação, a entrega quentinha. Mas não para por aí. Esaa pode ser uma solução também para pontos de alta concentração de pessoas. Imagine você agendar a entrega de uma refeição para pegar quando chegar no metrô enquanto estiver a caminho de casa. Você pode programar isso com antecedência e já sabe que seu lanche ou jantar estarão lá esperando quentinhos por você!

A Hero trouxe uma proposta voltada para otimizar o tempo dos vendedores em loja ou até mesmo propor uma “uberização de vendedores”! Os profissionais entram na plataforma, se colocam como disponíveis e, a partir daí, podem ser acionados pelos consumidores que estão navegando pelo site ou app das marcas e que precisam de ajuda para comprar. Ao invés de falarem com um chatbot ou assistente virtual, recebem o atendimento de um vendedor real que expande as possibilidades de atendimento e consequentemente comissão também. Olha o atendimento omnichannel aí! É claro que o investimento em treinamento precisa ser pensado, mas se analisarmos a fundo não parece algo que necessita de investimentos altíssimos como as tecnologias de ponta!

E para finalizar esta pequena pincelada sobre o que vimos de mais interessante na feira está o estande que representa o restaurante Freeshipo do supermercado tão falado Hema, do Alibaba, que apresentou apenas algumas das inovações como a esteira suspensa na loja: se você esta em um canto do supermercado e sabe que o produto que precisa esta lá do outro lado, por meio do uso do app você pode pedir que a esteira o traga até você! E para pedir a comida, o indivíduo faz o processo todo sozinho através de app e um robô traz o prato pronto até a mesa, sem nenhuma interação com garçons, caixas ou qualquer outro atendimento.

Sem sombra de dúvidas as mentes geniais que se dedicam a pensar tudo isso passaram a enxergar a tecnologia como um meio e não mais como o centro. O consumidor, finalmente, ocupou o lugar que vem minerando todo esse tempo: o de protagonista em todas as etapas do consumo.

Fonte: Meio e Mensagem

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