Começa na próxima quinta-feira (6) e acontece até o dia 9 de dezembro no São Paulo Expo a Comic Con Experience, evento organizado pela Omelete Company que é dedicado a celebrar a cultura pop. Chegando à sua quinta edição este ano, o evento promete superar mais uma vez os próprios números de arrecadação e público, ainda mais por conta do line-up de estrelas e celebridades que arregimentou em 2018 e inclui nomes como Brie Larson, Chris Columbus, Jessica Chastain, Maisie Williams, Andy Serkis, Sandra Bullock e Michael B. Jordan.

O crescimento da CCXP nestes últimos cinco anos, vale acrescentar, foi estrondoso. Como o espaço do SP Expo, o evento expandiu agressivamente em pouquíssimo tempo com uma estratégia que contou com muita ambição dos realizadores, que dispostos desde o princípio a trazer a “verdadeira experiência” de uma Con para o país aos poucos foram incluindo o evento dentro do calendário complexo e bilionário dos grandes estúdios de cinema estadunidenses. Tão verdade isso que a Comic Con este ano conseguiu dois feitos impressionantes: não só todos os principais nomes da empresa estarão na feira e contarão com painéis centrais, mas o próprio auditório Cinemark XD – o salão maior do evento – nesta edição foi tomado por marcas de cinema e reduziu praticamente a zero a programação de quadrinhos; as tradicionais apresentações da Marvel Comics e DC Comics foram deslocadas para horários paralelos em outros locais.

Mas o que podemos esperar do auditório Cinemark este ano, afinal? Além de uma programação quase que inteiramente voltada às novidades da televisão e do cinema, a expectativa maior para o espaço é que se repita e multiplique-se o número de momentos memoráveis, algo que os estúdios vem aprendendo nas últimas edições que não se faz apenas com celebridades mas também com bom conteúdo – especialmente se for algo que só os presentes poderão apreciar. E nem precisa ser um material exclusivo para o público do auditório: como qualquer evento de porte parecido ao da Con (o que neste caso são provavelmente festivais de música gigantes como o Lollapalooza e o Rock in Rio), os painéis da CCXP no fundo são grandes espetáculos circenses promovidos pelas marcas das telonas e das telinhas. E o maior truque, claro, é inovar, como bem mostrou a Sony em 2017 que triunfou na última edição ao estrear a jogada da aparição surpresa com Phil Lord e Chris Miller.

Antes de mergulhar fundo nas filas e nas cadeiras do auditório, porém, é bom lembrar o que já foi confirmado na programação principal da CCXP, estabelecendo de antemão quais são as bases que cada um dos principais estúdios estabeleceu para suas apresentações no evento. Como se há de perceber a seguir, tem de tudo e para todos os gostos, desde marcas que pelo visto já desceram todas as suas cartas para garantir um painel cheio até quem está mantendo cartas na manga para surpreender e roubar todas as atenções da feira durante seus quatro dias de realização.

Amazon Prime Video (quinta-feira, 13h30)

Estreando no palco do auditório Cinemark este ano, a Amazon deve seguir o modelo de negócios que vem aplicando no país e fazer um debute concentrado na CCXP deste ano. Com uma apresentação rápida de uma hora logo no início do primeiro dia de feira, o serviço de streaming deve focar na promoção da problemática segunda temporada de “Deuses Americanos” e na presença do ator Ricky Whittle que protagoniza a série, então não espere grandes surpresas acontecendo aqui. O aquecimento, porém, não pode ser confundido com falta de conteúdo, já que a presença de Whittle deve indicar algum tipo de conteúdo inédito para os fãs do seriado baseado no livro homônimo de Neil Gaiman.

Paramount (quinta-feira, 15h30)

Outro painel que deve “jogar no seguro” nesta edição é o da Paramount, que depois de pular a quarta CCXP retorna ao evento com foco na divulgação de “Bumblebee” (que estreia ainda este mês nos cinemas) e do remake de “Cemitério Maldito”, muito por conta do estúdio no geral ainda estar se recuperando do fraco ano fiscal que foi 2017. Mas enquanto o segmento dedicado ao derivado de “Transformers” promete ser bem morno ao levar os dubladores Paolla Oliveira e Guilherme Briggs, vale a pena ficar de olho nesta apresentação pela presença do produtor Lorenzo di Bonaventura, uma das figuras importantes da indústria hollywoodiana nos anos 2000 que esteve envolvido na franquia baseada nos carrinhos robóticos desde o princípio e é quem está colocando em movimento a nova adaptação do famoso livro de Stephen King. É ele quem no fundo deve conduzir os caminhos do painel durante a sua única hora de duração.

HBO (quinta-feira, 18h30)

O principal painel do primeiro dia de feira, claro, é o painel da HBO, que será inteiramente focado na temporada final de “Game of Thrones”. Além de ter uma hora e meia para falar da principal série da atualidade, a emissora trouxe um grupo considerável de membros centrais da produção para falar sobre o ano final, incluindo aí os showrunners David Benioff e D.B. Weiss e os atores John Bradley e Maisie Williams. Para quem está muito ansioso por qualquer tipo de novidade inédita, porém, vale o aviso: “tirando” o trailer (que pode ou não ser lançado no final da apresentação para mergulhar o público presente em polvorosa) é bem improvável que qualquer outra grande informação apareça no curso do debate.

Universal (quinta-feira, 20h, e domingo, 15h)

Depois de no ano passado focar com tudo na divulgação do trailer da sequência de “Jurassic World”, a Universal retorna ao auditório Cinemark nesta edição em duas frentes. A primeira, na quinta à noite e potencialmente mais morna, será uma live com o produtor celebrado e oscarizado Peter Jackson para tentar impulsionar a expectativa do público com o épico “Máquinas Mortais”, que até o momento não criou por aqui o hype necessário para uma produção de tamanho porte. Já a segunda apresentação acontece no domingo à tarde e pode ser mais chamativa ao público presente, já que será sobre o terceiro e último capítulo da franquia “Como Treinar o Seu Dragão” e traz o diretor e roteirista Dean DeBlois ao palco para conversar sobre o que vem aí no desfecho da trilogia de animação da DreamWorks. Sem o poder de fogo da nostalgia de um “Jurassic Park” às mãos, o estúdio deve tentar surpreender com projetos que dependem bastante da relação que a audiência tem com determinadas obras do passado.

Fox (sexta-feira, 16h)

Se nos últimos dois anos a Fox veio muito forte e com uma programação encorpada para divulgar suas vindouras produções na CCXP, em 2018 o painel do estúdio no evento começa a sentir os primeiros tremores da aquisição da divisão de cinema da empresa pela Disney. Além de duas das principais produções veiculadas na apresentação de 2017 (“Novos Mutantes” e “Alita: Anjo de Combate”) não terem estreado nos cinemas após seguidos adiamentos, a Fox também deve dar maior atenção a “X-Men: Fênix Negra”, o último filhote desta geração da franquia mutante antes dela ser retornada ao Marvel Studios e que traz à Comic Con as presenças de Sophie Turner e Jessica Chastain. O estúdio ainda promete entregar novidades sobre a já citada “Alita” e a aventura “O Menino que Queria Ser Rei” (uma outra nova versão da lenda do Rei Arthur), mas a expectativa é que, com duas horas de programação, alguma atração surpresa seja anunciada de última hora.

Disney (sábado, 12h30)

Tradicional peso pesado da CCXP desde sua primeira edição, a Disney chega à quinta edição com menos segurança nos conteúdos do que gostaria, já que não possui qualquer coisa de “Star Wars” às mãos (o que pode ser uma boa notícia, dado o erro de estratégia para suprir o azar da divulgação do ano passado) ou materiais do Marvel Studios na San Diego Comic-Con para reaproveitar devido a ausência do estúdio no evento este ano. Fora isso, a empresa não deve contar com os principais itens de desejo atuais dos fãs de super-heróis para debutar na telona do espaço, pois o segundo trailer de “Capitã Marvel” já foi lançado e especula-se que o de “Vingadores 4” saia em algum momento da quarta-feira que antecede a feira.

A falta das ferramentas tradicionais para atiçar a audiência do auditório Cinemark, porém, pode vir a se tornar – com a mentalidade correta – na melhor oportunidade da empresa para dominar o evento, pois a incentiva a ser mais criativa em sua programação. E conteúdo não falta para preencher as quase 4h30 de seus painéis combinados: Começando seus trabalhos com uma apresentação dos criadores de “WiFi Ralph” (que devem falar da criação do universo do filme depois da exibição do longa) e uma comemoração dos 90 anos do Mickey, a Disney ainda terá painéis sobre “Vidro”, a esperada continuação de “Corpo Fechado” e “Fragmentado” que contará com a presença de ninguém mais que M. Night Shyamalan; e o Marvel Studios e “Capitã Marvel”, que serão apresentados pelos atores Sebastian Stan e a própria Brie Larson que vive a heroína.

Sony (sábado, 17h)

Quem vem chegando silenciosamente na CCXP 2018 sem dúvida é a Sony. Depois de um painel brilhante em 2017 que foi da surpresa ao bem vindo caos, o estúdio este ano resolveu apostar na permanência do público da Disney no auditório e não revelou NENHUM nome da sua lista de convidados para o painel. A aposta é ousada e pode até dar errado, mas com duas horas de painel e produções esperadas como a continuação de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” e o derivado de “Homens de Preto” na mão é de se esperar que o estúdio esteja preparando algo que possa superar a barra que ela mesma colocou no evento em sua última apresentação.

Netflix (sábado, 20h, e domingo, 20h)

Como já virou tradição na Comic Con Experience, a Netflix será responsável por encerrar os dois dias mais disputados do auditório Cinemark, só que ao contrário do ano passado – em que o serviço fez um painel razoavelmente morno – a empresa em 2018 chega forte ao evento graças à leva de conteúdo que está trazendo. Com dois filmes para exibir no sábado e domingo (respectivamente o novo “Mogli” vindo da Warner Bros. e o suspense “Bird Box”), a plataforma vai trazer painéis focados em ambos os projetos e com os seus membros mais estrelados, sendo no caso do primeiro o ator e diretor Andy Serkis e no segundo os atores Sandra Bullock e Trevante Rhodes.

O destaque maior, porém, fica para a área de TV, onde além de uma apresentação focada na adaptação da HQ “The Umbrella Academy” com membros do elenco a Netflix fará pela primeira vez um conteúdo voltado à tão amada “Stranger Things”. Com o terceiro ano da série até aqui não tendo apresentado nenhuma informação ou imagem, é de se esperar que além dos atores mirins Noah Schnapp, Caleb Mclaughlin e Sadie Sink a gigante vermelha do streaming também estreie o primeiro trailer da nova temporada do seriado.

Warner Bros. (domingo, 10h30)

Junto da Sony, a Warner Bros. é o outro grande estúdio que claramente está escondendo algum detalhe importante em sua apresentação anual. Vinda de um painel fraco e com cheiro de velho em 2017, o estúdio agora retorna a CCXP com dois grandes painéis que até aqui contam com uma sessão exclusiva de “Creed II” a ser apresentado pelos atores Michael B. Jordan e Florian Munteanu; uma seção dedicada ao recente fenômeno da internet “Detetive Pikachu”, estrelado pelo protagonista humano do filme Justice Smith; e o ator Zachary Levi, que deve falar bastante do vindouro “Shazam!”.

Mas por mais que isso seja a princípio suficiente para cobrir quase cinco horas de programação do auditório, parece que há mais escondido, com as evidências se espalhando por todo o canto. Para começar, já foi divulgado nas redes sociais que o segundo trailer de “Godzilla: Rei dos Monstros”, a aguardada sequência do novo “Godzilla” que chega antes do confronto do monstro japonês contra o King Kong, será lançado no domingo, mas até o momento o estúdio não falou nada sobre se a prévia sai ou não no evento – o que pode indicar alguma aparição especial de um membro do elenco.

Já a outra evidência de que há algo a mais na apresentação da Warner este ano vem do tweet abaixo, publicado por Stephen King no fim da tarde de hoje (4).

Poderia ser? Fique ligado no site e nas redes sociais do B9 nos próximos dias para descobrir.

Fonte: B9

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