8 de novembro de 2018 – 15h54

Crédito: Wavebreakmedia/iStock

“Vocês acreditam na propaganda?” Assim comecei minha palestra no TEDx Laçador, em Porto Alegre, fazendo a pergunta que eu mesma me fiz, por tantas vezes, em tantos anos. Eu acredito na propaganda. Mas não na propaganda que gera muito retorno para poucos e muito estrago para muitos. Acredito em uma nova propaganda onde as marcas sejam motores de transformação social.

Nos últimos anos, muito se tem falado sobre sustentabilidade e impacto positivo, mas ainda predomina a percepção de sustentabilidade como “custo” e não como “investimento”: uma espécie de “pedágio” que as empresas deveriam pagar para minimizar os estragos que elas mesmas causam na sociedade. Minha visão sobre esse tema, definitivamente, não é essa. Acredito que sustentabilidade é uma lente, uma nova forma de enxergar e fazer negócios, onde o lucro é condição para uma empresa existir, não o seu propósito. Afinal, empresas existem para fazer a vida das pessoas melhor e oportunidades para isso não faltam. Em 2018, serão investidos em torno de 587 bilhões de dólares em propaganda, no mundo. Imaginem todo esse investimento aplicado com o objetivo de fortalecer as marcas e, ao mesmo tempo, gerar impacto positivo?

Empresas não são bolhas separadas da sociedade e as marcas, seus ativos mais preciosos, precisam ser relevantes no mundo real e não no mundo mágico das marcas, inventado nos escritórios. Nesse mundo real, consumidores são pessoas, bombardeadas por uma infinidade de informações, de todas as naturezas, todos os dias, que direcionam seus recursos mais valiosos – tempo e atenção – para o que realmente lhes é relevante. Promover impacto positivo gera relevância e, por isso, faz sentido para as empresas. Uma marca irrelevante é uma marca que vai morrer. E vai morrer rápido.

Existem muitas oportunidades para as marcas fazerem a diferença real na vida das pessoas. Basta que queiram. Quantas vezes já não ouvimos alguém nos dizer, com certo ar de objetividade em excesso, que “trabalho é trabalho”, “negócio é negócio” e que fazer o “bem” é assunto para a vida pessoal? A tendência é naturalizarmos esse pensamento, achando que isso é regra. Mas dá para fazer diferente. São as pessoas que fazem as empresas e as marcas: somos nós. Não existe uma divisão entre quem somos na vida pessoal e profissional. Somos um só.

Integridade é isso: ser um só. Agir com coerência, em todos os campos da vida. Fazer negócios pensando no todo e na sociedade que queremos. Fazer uma propaganda que construa para a sociedade e não uma sociedade que adoeça pela propaganda.

Fonte: Meio e Mensagem

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