Crédito: Jonne Roriz/ VEJA

Jair Bolsonaro conseguiu quebrar um longo tabu em São Paulo. Ao receber mais de 60% dos votos na cidade, o presidente eleito acabou com a fama de “pé frio” em relação a candidatos à presidência que persegue a capital paulista. Afinal, os últimos quatro mais votados não conseguiram a vitória. Isto teve início em 2006, quando Geraldo Alckmin recebeu 54% dos votos e perdeu para Lula. Já em 2010, José Serra teve apoio de 53% da população e foi derrotado por Dilma Roussef. Seu sucessor Aécio Neves, rei da popularidade entre os paulistanos, passou muito perto, mas também não alcançou este feito – apesar de seus 64% de votos.

Outro fato interessante é que, desde o primeiro mandato de Lula, em 2002, esta é a primeira vez que um candidato de fora do PSDB recebe a maioria dos votos na terra da garoa. O Partido Social Liberal foi beneficiado pela fama de Bolsonaro e ganhou espaço em São Paulo, conseguindo eleger um senador, dez deputados federais e 15 deputados estaduais. O salto foi gigante para o PSL que, em 2014, só conseguiu uma vaga representativa: o deputado estadual Gileno, eleito com pouco mais de 34 mil votos.

Rejeição ao ex-prefeito

Apesar de ser comandada pelas mãos de Fernando Haddad durante quatro anos, a população paulistana não perdoou e muito menos apoiou o candidato petista. Prova disto é que, na capital, Jair Bolsonaro recebeu 3.694.834 votos válidos na capital paulista, contra 2.424.125 de seu oponente. A “tragédia” já era prevista, afinal, segundo avaliação feita pelo Datafolha ao fim do mandato de Haddad, sua rejeição foi de quase 50%. Apenas 14% dos habitantes da cidade apontaram que a gestão foi boa ou ótima, o que já demonstrava uma predisposição popular a rejeitar seu ex-prefeito.

A maioria dos eleitores a favor do então deputado do PSL vieram das regiões centrais. Quanto mais periféricas as zonas eleitorais eram, mais os índices de voto do Partido dos Trabalhadores crescia. Haddad venceu em apenas seis das 58 zonas de São Paulo – Cidade Tiradentes, no extremo leste, Valo Velho, Capão Redondo, Piraporinha, Grajaú e Parelheiros, no extremo sul.

Os bairros com moradores mais favoráveis a Bolsonaro ficaram entre zona sul e leste. Foram eles: Mooca, Penha, Tatuapé, Vila Formosa, Vila Prudente, Santana, Santo Amaro, Itaim Bibi, Saúde e Indianópolis que, inclusive, é onde fica a sessão eleitoral de Haddad. Em Indianópolis, por exemplo, o presidente eleito teve 76,15% dos votos válidos, 99.260 de um total de 144.734. Outros 31.081 votaram em seu conterrâneo, enquanto 10.559 anularam e 3.824 optaram por apertar 00 nas urnas.

O carro-chefe do estado

A capital puxou o bonde da vitória de Bolsonaro no estado de São Paulo. Ao todo, o capitão teve pouco mais de 15 milhões de votos (68% dos válidos), mais que o dobro dos 7 milhões de Haddad. No 2º turno, o candidato do PSL venceu em 631 das 645 cidades. Fernando Haddad ganhou apenas em alguns municípios do Vale do Ribeira, como Iporanga, Barra do Chapéu e Itaóca, e em algumas do oeste. como Mirante do Paranapanema, Sandovalina e Euclides da Cunha Paulista.

Falando na Região Metropolitana, o presidente eleito só não ganhou a eleição em uma das 39 cidades. Francisco Morato elegeu Fernando Haddad. Mesmo assim, a disputa foi acirrada, 50,8% contra 49,1% do adversário. Cerca de 14 mil pessoas votaram branco ou nulo. Saltinho (89,2%), Marapoama (85,28%), Socorro (89,9%), Itajobi (83,81%), Cerquilho (83,48%) e Gabriel Monteiro (89,23%) foram os redutos de Bolsonaro no interior.

O desempenho do representante da direita foi ligeiramente inferior ao de seu antecessor, Aécio Neves, do PSDB, que recebeu 15,3 milhões de votos. Já Haddad ficou bem distante do resultado de Dilma Rousseff em 2014, com 1,5 milhões a menos. Isso mostra como o Partido dos Trabalhadores perde cada vez mais espaço no maior estado do Brasil, economicamente falando, que possui fortes tendências a partidos de direita.

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