A trama acompanha o trio formado por Veronica (Viola Davis), Linda (Michelle Rodriguez) e Alice (Elizabeth Debicki), mulheres que, após a morte de seus companheiros (os ladrões interpretados por Liam Neeson, Jon Bernthal e Manuel Garcia-Rulfo), precisam aplicar um golpe para pagar uma dívida com o chefão do crime Jamal (Brian Tyree Henry, o Paper Boi de “Atlanta”).  O primeiro ponto que salta aos olhos em “As Viúvas” é a forma como os personagens masculinos são vistos pelo diretor. Em um primeiro momento, até criamos empatia pelos ladrões que morrem e deixam as protagonistas viúvas, Mas, aos poucos, as cenas se desenvolvem de forma a mostrar como a bondade apresentada, na verdade, é apenas uma falsa imagem criada pelas próprias companheiras dos criminosos. Fica claro que há uma transição que remove qualquer traço de bondade dos personagens de Neeson, Bernthal e Garcia-Rulfo, que aos poucos deixam de ser vítimas e passam a ser grilhões emocionais para Veronica, Linda e Alice.

Já com os outros personagens, como Jamal, seu braço direito Jatemme (Daniel Kaluuya, de “Corra!”) e Jack e Tom Mulligan (Colin Farrell e Robert Duvall), há uma verdadeira disputa para ver qual é mais detestável. Não por acaso, os quatro estão em posição de poder político e financeiro, e têm seu pedestal desafiado pelo golpe do trio feminino que protagoniza o longa. A disputa dos sexos de “As Viúvas”, portanto, se faz presente no conflito central da narrativa, que coloca as personagens femininas tentando subverter um sistema predominantemente masculino.

Steve McQueen (à direita) com Liam Neeson no set

A disputa dos sexos é central da narrativa, que coloca as mulheres para subverter um sistema masculino

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