Crédito: Reprodução/TV Globo

Carlos Horbach, ministro do Tribunal Superior Eleitoral, determinou a suspensão de ao menos seis vídeos das redes sociais de Jair Bolsonaro que disseminam informações falsas sobre o “kit gay”. Segundo o conteúdo publicado pelo candidato do PSL e seus apoiadores, Fernando Haddad, enquanto Ministro da Educação, teria sido responsável pela distribuição do material para crianças, em escolas públicas de todo o Brasil.

A verdade é que o projeto “Escola sem Homofobia”, idealizado em 2012, não foi executado pelo MEC. Horbach ressaltou que o fato inverídico, postado diversas vezes nas redes sociais, gera desinformação no período eleitoral e prejudica o debate político. Ele deu um prazo de 48 horas para que o Facebook e o Google identifiquem o IP da conexão utilizada no cadastro inicial dos perfis responsáveis pelas postagens, assim como os dados cadastrais dos mesmos e seus registros de acesso.

Os advogados de Haddad pediram ao TSE a remoção de mais de 40 links relativos ao tema, mas a justiça só acatou a seis deles – nos quais Bolsonaro define o livro como “coletânea de absurdos que estimula precocemente as crianças a se interessarem por sexo” e “uma porta aberta para a pedofilia”. O resto, até o momento, foi mantido por não colocar a veracidade “em xeque”.

A defesa da coligação “O Povo Feliz de Novo”, do PT, já conseguiu derrubar de cerca de 100 links originais e mais de 146 mil compartilhamentos, com aproximadamente 20 milhões de visualizações. Nas redes sociais, defensores do partido pedem uma retratação pública nacional por parte de Bolsonaro, que foi responsável por propagar a fake news e prejudicar Haddad – especialmente com o eleitorado cristão.

O QUE É O KIT GAY?

Apesar de ser mais conhecido pelo termo pejorativo adotado por Bolsonaro, o “kit gay” é composto por um livro, seis boletins, três vídeos, um cartaz e cartas de apresentação, todos voltados para a formação de educadores e sem previsão de distribuição do material para alunos. A iniciativa faz parte de um programa anti-homofobia que sequer chegou a ser colocado em prática.

A obra principal, “Aparelho Sexual e Cia – Um guia inusitado para crianças descoladas”, escrita pelo suíço Phillipe Chappuis e publicada aqui pela Companhia das Letras, chegou a ser mostrada por Jair durante uma entrevista para o Jornal Nacional. O Ministério da Educação (MEC) informou que não produziu, comprou ou distribuiu o livro e ele não fez parte do Programa Nacional do Livro Didático. A obra, segundo a pasta, destina-se a bibliotecas de uso geral.

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