“Deadpool” abriu muitas portas para novidades no cinema baseado em personagens de quadrinhos. Sua fórmula metalinguística que satiriza não só o gênero, mas Hollywood como um todo e até as trajetórias profissionais dos envolvidos no projeto (há referências a “Lanterna Verde”, por exemplo, fracasso protagonizado por Ryan Reynolds, que vive também o próprio Deadpool), trouxe um frescor para o “cinema nerd”. Além de toda a estética, que era algo novo no gênero, o filme de Tim Miller também quebrou paradigmas por ser o primeiro longa de “heróis” com classificação etária máxima a alcançar a impressionante marca de 750 milhões de dólares na bilheteria – o que permitiu, por exemplo, que o estúdio investisse em “Logan” no ano seguinte.

Se, porém, pusermos de lado todos esses predicados do filme e do trabalho de marketing que o acompanhou, “Deadpool” é tão divertido quanto simplório. Em dado momento, a fórmula de humor autodepreciativo e as brincadeiras metalinguísticas tornam-se repetitivas. Além disso, a obra de Tim Miller logo abraça alguns clichês da ação (o vilão que sequestra a companheira do herói, por exemplo) e, como resultado, mostra-se satisfeita com pouco.

Ryan Reynolds e o diretor David Leitch no set

⚠ AVISO: Pode conter spoilers

Chega, então, “Deadpool 2”. Com menos pressão por resultados nas bilheterias (o sucesso de público aqui é quase certo) e mais orçamento, a saga cai nas mãos de David Leitch, de “John Wick”“Atômica”. Com a mudança de direção, o caminho óbvio era que a sequência fosse mais frenética do que o filme de 2014, já que Leitch mostrou-se um cineasta que muito preza pelos combates coreografados. A ação desenfreada está lá, juntamente à comédia, mas o fator mais peculiar de “Deadpool 2” é como o filme busca desconstruir alguns elementos formadores do personagem: aqui, a jornada do anti-herói Wade Wilson é para ele tornar-se um… herói.

Na continuação, Deadpool tem como contraponto dramático Cable, o mutante vindo do futuro interpretado por Josh Brolin. O protagonista, um anti-herói declarado, passa a adotar atitudes heróicas enquanto se vê numa disputa com o novo antagonista. É curioso notar que, além da relação heroísmo versus vilania, há, com Deadpool e Cable, uma relação de oposição dramática. Se Wade Wilson é sempre o epicentro cômico da narrativa, Cable é o personagem que trará seriedade e raramente fará uso do humor.

O fator mais peculiar de “Deadpool 2” é como o filme busca desconstruir alguns elementos formadores do personagem

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B9

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Central da Pauta.

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